Nossa História
O Projeto Observatório de Direitos Humanos em Escolas (PODHE) é uma iniciativa de educação em direitos humanos que busca proporcionar a adolescentes e jovens uma experiência enriquecedora de formação e vivência, criando um espaço colaborativo de monitoramento e reflexão sobre os direitos humanos.
Desde 2017, o PODHE realiza oficinas semanais em escolas públicas de São Paulo, sempre no horário regular das aulas e em parceria com professores de diferentes disciplinas. Ao longo dos anos, o projeto se expandiu e passou a atender turmas do ensino fundamental e médio, ampliando o impacto da iniciativa. As discussões e temáticas abordadas partem da realidade cotidiana dos estudantes, permitindo que identifiquem e organizem informações sobre direitos, reconheçam suas violações dentro e fora da escola e proponham transformações individuais e coletivas.
As oficinas do PODHE integram movimento, ludicidade e diversas linguagens artísticas e educomunicativas, como teatro, contação de histórias, músicas, rodas de conversa, jogos, produção de vídeos e redação de jornal escolar. Além de promover um espaço democrático e acolhedor, essas atividades têm o objetivo de prevenir, monitorar e superar as múltiplas violências no ambiente escolar, incentivando o protagonismo dos estudantes na construção de contextos mais justos e igualitários. Mais do que uma abordagem conteudista, o PODHE prioriza a vivência e participação ativa dos estudantes nas atividades propostas, contando com uma equipe diversificada de profissionais de diferentes origens, identidades e formações.
O PODHE também se dedica à formação de professores e outros profissionais da educação, oferecendo cursos e capacitações tanto presenciais quanto a distância, por meio de parcerias com diretorias regionais de ensino e em eventos como o USP Escola. Atualmente, o projeto está presente em três escolas: Escola Estadual Professora Amélia Kerr Nogueira e Escola Estadual Dr. Ubaldo Costa Leite, ambas na cidade de São Paulo, e a EMEFM Maestro Marcelino Pietrobom, localizada em Paulínia, no interior do Estado.
O início do PODHE e o CEPID NEV-USP.
O PODHE conforma-se como uma iniciativa de Educação em Direitos Humanos, eixo que vem sendo um dos focos de trabalhos do Núcleo de Estudos da Violência (NEV-USP) ao longo de sua trajetória institucional, que envolveu participação em diferentes editais do programa de Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão da FAPESP, os CEPIDs. A metodologia dos Observatórios foi adotada pelo NEV-USP no início dos anos 2000, a partir do programa denominado “Rede de Observatórios de Direitos Humanos”, experiência que foi adaptada para a realidade da educação formal básica no âmbito do PODHE.
O PODHE se alinha à premissa básica da Rede de Observatórios de Direitos Humanos, de que os jovens deveriam atuar como protagonistas na defesa e concretização dos direitos humanos, fortalecendo o envolvimento comunitário e a construção de soluções dentro de seus territórios. O PODHE surge nesse contexto, trazendo essa experiência acumulada para dentro do ambiente escolar e adaptando-a à realidade da educação formal básica.
O Projeto Observatório de Direitos Humanos em Escolas (PODHE) teve sua fase piloto entre janeiro de 2017 e novembro de 2018, abrangendo identificação de escolas, implementação e avaliação. No início do projeto, foram contatadas 35 unidades escolares, com duas aderindo à iniciativa: uma da rede municipal e outra da rede estadual. Após reuniões com professores para alinhar a colaboração, surgiram questionamentos sobre o compromisso de continuidade do projeto nas escolas, mas a recepção foi positiva. Ao final, as escolas Amélia Kerr Nogueira e Bernardo O’Higgins formalizaram parceria, consolidando a fase inicial do PODHE.
Entre 2017 e 2018, foram realizadas uma série de atividades de sensibilização, vivência e formação, e monitoramento e transformação nas duas escolas parceiras, com destaque para mapeamentos afetivos dos espaços escolares e jornais escolares, atividades envolvendo futebol e direitos humanos, oficinas sobre direitos digitais e cyberbullying, uso de técnicas de costura para transformação simbólica das grades nas escolas, ações sobre meio ambiente e reciclagem, e até mesmo uma reforma do espaço de refeitório. Também foram realizadas atividades de avaliação do projeto, indicando resultados positivos sobre conhecimentos de direitos humanos e percepções sobre a validade desses direitos.
A partir de 2019, com uma equipe ampliada pela presença de novos educadores e pesquisadores bolsistas, o projeto se expandiu para mais uma escola, desta vez a E. E. Ubaldo Costa Leite, situada no bairro Jd. Guarani, distrito da Brasilândia, Zona Norte de São Paulo. As atividades do PODHE seguiram neste ano, sempre em meio aos desafios da educação básica, como as mudanças de gestão governamental e escolar, e programas como o das escolas de tempo integral.
Os desafios durante e após a pandemia e o início do programa PROEDUCA
Em 2020, as atividades presenciais do PODHE tiveram que ser suspensas em função da pandemia de Covid-19. Com as escolas fechadas e a inserção gradativa de atividades remotas, o PODHE se reinventou e procurou atuar na produção e divulgação de materiais de sobre educação em direitos humanos, como no Repositório de Materiais e Conteúdos sobre Educação em Direitos Humanos e Autocuidado, e na criação de ciclos formativos online, como o Ciclo de Diálogos sobre Relações Étnico-Raciais e Decolonialidade na Educação em Direitos Humanos, que teve alguns de seus encontros publicados no canal do NEV-USP.
No retorno às atividades presenciais no final de 2021, o PODHE recuperou suas parcerias com as escolas parceiras Profa. Amélia Kerr Nogueira e Dr. Ubaldo Costa Leite, atuando sobretudo com turmas de oitavos anos do fundamental II e terceiros anos do ensino médio. Em função de diferentes entendimentos sobre a continuidade do projeto na Escola Municipal Bernardo O’Higgins, e a necessidade de atuar com mais turmas de ensino médio, o PODHE decidiu buscar novas escolas parcerias, o que ocorreu com a Escola Municipal de Ensino Fundamental e Médio (EMEFM) Maestro Marcelino Pietrobom, na cidade de Paulínia, no interior do Estado.
Em 2022, o PODHE duplicou seu vínculo institucional, tornando-se um projeto de extensão também da Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA-USP), em função de ter um de seus coordenadores no quadro de docentes da ECA-USP. Nesse momento, iniciou um projeto sobre a promoção da igualdade de gênero em escolas, dentro do Edital USP Diversidades, da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP. USP. Além disso, foi também contemplado com auxílio de quatro anos do Programa de Melhoria de Ensino Público da FAPESP, o PROEDUCA, em parceria com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (SEDUC). O PROEDUCA apoia pesquisas voltadas ao aprimoramento das políticas públicas educacionais e ao desenvolvimento de abordagens pedagógicas inovadoras, com foco na aprendizagem e na redução das desigualdades.
Dentro do PROEDUCA, em maio de 2023, o PODHE iniciou a implementação de um novo projeto chamado “Educação em direitos humanos para a promoção da equidade e a prevenção às violências nas escolas”, fortalecendo seus objetivos de realizar iniciativas transversais e interdisciplinares de educação em direitos humanos junto às escolas parceiras, no cotidiano dos estudantes, além de ações para a transformação dos espaços escolares. As escolas parceiras do projeto são a E.E. Profa. Amélia Kerr Nogueira, a E. E. Dr. Ubaldo Costa Leite, e a EMEFM Maestro Marcelino Pietrobom.
A partir deste projeto, o PODHE ampliou sua equipe, atuando com pesquisadores e educadores bolsistas, além de professores bolsistas das próprias escolas, que desenvolvem projetos específicos dentro do PROEDUCA, trabalhando agora com turmas de todos os níveis do ensino básico, do fundamental ao EJA, passando pelo fundamental II e pelo ensino médio. Além disso, pôde investir em mais formações coletivas e pequenas reformas nas escolas, ações capazes de envolver todas as comunidades escolares e dos entornos.
Por meio de programas de fomento e parcerias, as atividades realizadas pelo PODHE ao longo dos anos foram fortalecidas, estreitando os laços com escolas parceiras e permitindo a ampliação das equipes de educadores-pesquisadores e educomunicadores em cada unidade escolar. O projeto também aprofundou sua atuação no cotidiano escolar, compreendendo as necessidades e desafios de cada localidade. Além disso, desenvolveu uma conexão cada vez mais sólida entre a escola pública e a universidade pública, apoiando diretamente as salas de aula, ao mesmo tempo em que abriu novos horizontes para os estudantes, com visitas educativas e novas experiências na cidade e nas universidades próximas.
Conheça as duas edições da Revista PODHE Ser (clique nas capas para acessar o conteúdo completo), uma publicação do PODHE realizada em parceria com estudantes de graduação em Jornalismo da ECA-USP, que dá destaque para os objetivos, métodos e resultados do projetos desenvolvidos no PODHE, e suas relações com questões fundamentais do pensamento filosófico e político de diferentes épocas e matrizes culturais.