O PODHE
O Projeto Observatório de Direitos Humanos em Escolas (PODHE) é uma iniciativa de educação em direitos humanos que envolve educandos e profissionais em processos de vivên-cia e formação em direitos humanos, a partir da construção de espaços colaborativos de monitoramento de direitos humanos. Atualmente as atividades ocorrem em parceria com escolas públicas do município de São Paulo e de Paulínia, por meio de projetos específicos de promoção de direitos desenvolvidos em cooperação com docentes, gestão e estudantes. Para tanto, a equipe é formada tanto por educadores/pesquisadores bolsistas do PODHE como por professores bolsistas das escolas. Neste processo, contamos com momentos formativos e de planejamento da equipe interna e de docentes; reuniões de planejamento com a gestão; oficinas com estudantes de diferentes níveis de ensino (do fundamental I até o EJA); fortalecimento de ações junto a familiares, instituições e sujeitos dos territórios; além de avaliação do andamento e de resultados do PODHE.
Cabe destacar que o PODHE é um projeto de extensão universitária cujo propósito primordial é pro-mover a interação transformadora entre universidade e sociedade, aliando pesquisa e intervenção. Nessa interligação, consolida-se a valorização de saberes diversos, aprendizagens dialógicas e contextualizadas, bem como a aproximação dos estudantes das escolas públicas das possibilidades de ingresso na universidade pública.
O que buscamos promover
O PODHE tem ao longo de sua caminhada consolidado como propósitos centrais:
Contribuir para uma vivência em cidadania , na qual a dignidade humana seja respeitada no inte-rior das relações interpessoais e institucionais;
Auxiliar na melhoria da convivência e na prevenção de práticas de violência em meio escolar mo-tivadas por desigualdades de gênero, orientação sexual, identidade de gênero, raça/cor, pertencimento social e econômico, entre outras;
Colaborar na promoção de canais de participação democrática, resolução pacífica de conflitos e escuta ativa e respeitosa dos diferentes membros escolares;
Incentivar o pertencimento escolar, a participação e o protagonismo infanto-juvenil;
Estimular e orientar a produção de informações sobre a realidade escolar e os contextos sociais de inserção dos educandos sob a ótica dos direitos humanos;
Dialogar sobre as formas viáveis de encaminhamento de violações de direitos humanos identificadas nos processos de monitoramento;
- Fomentar ações coletivas que auxiliem na transformação da escola e da comunidade em territórios equânimes, respeitosos, não violentos, justos e democráticos.
Nossa metodologia
O PODHE tem como metodologia central a criação de Observatórios de Direitos Humanos, os quais são entendidos como espaços colaborativos de monitoramento e implementação de direitos, por meio do olhar e participação dos sujeitos locais sobre seus contextos. De tal modo, parte do reconhecimento de que as visões e vozes dos agentes locais são fundamentais nas avaliações sobre a situação dos direitos humanos em diferentes esferas, para a responsabilização das autoridades públicas e mobilização coletiva pa-ra sua garantia efetiva.
Para tanto, o PODHE é desenvolvido por meio de três eixos pedagógicos inter-relacionados, não lineares, que se cruzam e se complementam em ciclos anuais durante o processo educativo. Na interação dos distintos eixos, a concepção de uma vivência em direitos humanos é fundamental, uma vez que busca proporcionar aos sujeitos escolares não apenas conhecerem formalmente seus direitos, mas vivenciarem sua realização cotidiana, por meio da escuta ativa, do respeito mútuo, do reconhecimento identitário, da empatia, do pertencimento e da participação democrática.
Eixo de sensibilização: destinado ao acolhimento, criação de vínculo e sensibilização para a temática geral dos direitos humanos;
Eixo vivência e formação: com foco no desenvolvimento de propostas que priorizam vivências coletivas, cooperativas e respeitosas e aprendizagens pela experiência, bem como no trabalho com temáticas específicas sobre direitos humanos;
Eixo monitoramento e transformação: dedicado à produção de diagnósticos dos participantes sobre violações de direitos humanos em seus contextos e à proposição e implementação de ações coletivas de transformação.
O desenvolvimento dos eixos é realizado prezando pela utilização de metodologias dialógicas e participativas, com destaque para práticas artísticas (música, dança, teatro, literatura e artes visuais) e de educomunicação, que valorizam a aprendizagem pela experiência, pelo encontro e pelo afeto. Isto porque, parte-se da concepção que fortalecer valores em direitos humanos envolve não apenas razão, mas está intimamente ligada às nossas percepções e sentimentos em relação a nós mesmos, aos outros e às violações de direitos e violências que nos afetam e afetam aos outros. Assume-se, assim, que as distintas linguagens artísti-cas e educomunicação são fundamentais para fomentar a formação e o protagonismo dos sujeitos escolares, enquanto sujeitos de direitos, propiciando vivências e práticas de transformação de si e de seus contextos.